Um dia enquanto na estrada eu flutuava
E as luzes dos candeeiros voavam à minha passagem,
Ouvindo música, o sono eu enganava,
Surgiu então à minha frente uma miragem.
Tudo ficou branco instantaneamente.
A estrada desapareceu e surgiu uma sala.
Numa secretária vi uma luz cujo brilho incandescente
Parecia provir de uma única mala.
Não era uma mala vulgar.
Na realidade era toda a minha vida,
Tudo o que senti, agi, ou pensei até sonhar.
Uma panóplia de palavras pronta a ser lida.
A mala estava aberta,
Com folhas acabadas de imprimir.
Olhei para os cantos da sala deserta,
Tinha a minha vida por descobrir.
Quis testar a veracidade.
O primeiro caderno eu abri,
Ali estava ela, em perfeita legibilidade,
A data em que eu nasci.
Relatava a minha existência,
Todos os problemas por que passei.
A força da sobrevivência
E a forma como os ultrapassei.
Li um novo versículo,
Um em que estava contente
Mas virando esse capitulo,
Mostrava um menino inocente.
Um que não sabia o que a vida custava,
As adversidades que haveriam de surgir,
Mas sempre que as ultrapassava,
Não conseguía parar de sorrir.
A infância complicada por que passei
Sozinho cresci,
Sozinho me trancava,
Sozinho eu vivi,
Sozinho eu rebentava,
Mostrava todos os momentos em que sozinho eu chorei.
Não me queixo porque fui aprendendo,
Aprendendo o quanto a vida é complicada.
Que não podemos ir só dando, mas recebendo,
Os juros desta vida amaldiçoada.
Podem dizer que sou frio,
Podem dizer que não tenho sentimentos,
Podem dizer que não tenho breu,
Mas sou fruto de todos esses momentos.
O último caderno caiu no chão.
Era a data da minha morte,
Não consegui ler, acordei com um apertão,
Deus quis deixar-me à minha sorte.
Tinha tido um acidente,
Ao longe uma médica gritava,
Teria sido eu vidente,
Ou apenas mais um sonho que não interessava?
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